Ir para o conteudo 1

Acompanhe a Dataprev

Ary Belem diante de computador, em seu local de trabalhoApós fumar por 23 anos, o gerente da Divisão de Benefícios de Pessoal da Dataprev, Ary Belem (foto à esquerda), decidiu abandonar definitivamente o cigarro. Em 2009, tomou uma atitude que mudou sua vida: se inscreveu no Programa de Incentivo à Cessação do Tabagismo da empresa, que, naquele ano, era lançado como um projeto piloto, com o alcance restrito ao Rio de Janeiro.

Belem, que começou a fumar aos 23 anos, já tinha ficado um ano parado, mas voltou ao hábito após o falecimento da mãe. “Eu não conseguia mais parar. Ao me aproximar dos 50 anos, ficavam cada vez mais claros problemas de saúde que o cigarro me causava”, diz o gestor.

Com a iniciativa, munido de força de vontade e sob a orientação da equipe do programa, passou a adotar métodos facilitadores e teve acesso a medicamentos. O resultado? “Em 10 de setembro, fará 10 anos que não fumo. Sinto que minha que minha saúde e disposição ficaram melhores. O principal é você querer parar. A partir daí, você precisa de meios que ajudem a atingir o objetivo. Nesse sentido, foi fundamental ter participado do programa. Entendo ser mais fácil atingir um objetivo quando você participa de grupos com pessoas com a mesma motivação. Felizmente, pude contar, também, com o estímulo de familiares, amigos, médicos e até mesmo da sociedade, para que abandonasse o cigarro", conta.

A história de Ary Belem não é uma exceção. De acordo com os dados apurados nas pesquisas de Saúde e Qualidade de Vida realizadas pela Dataprev desde agosto de 2013, há evidências de que o número de fumantes na empresa vem diminuindo. O índice é menor do que os registrados pelas pesquisas oficiais realizadas no país. Enquanto a pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) revela que, em 2017, 10,1% dos adultos consumiam tabaco, no mesmo ano o número de empregados da Dataprev fumantes era de 5,19%.

O PROGRAMA

Concebido desde sua origem, em 2009, com o objetivo de estimular a mudança de comportamento dos empregados fumantes em relação ao hábito de fumar, em 2018 o programa foi ampliado e estendido para todos os estados, por meio de uma parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS).

“Procuramos estimular a cessação de fumar por meio de ações educativas e de atenção à saúde que potencializem a mudança de hábito. Queremos aumentar o envolvimento do empregado fumante no processo de abandono do tabagismo”, detalha a gerente do Serviço de Qualidade de Vida, Cecília Moncorvo.

O tratamento de tabagismo no Brasil é desenvolvido com base nas diretrizes do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT) que está sob a coordenação e gerenciamento do INCA e pela articulação da Rede de Tratamento do Tabagismo no SUS, em parceria com estados e municípios e Distrito Federal. Por esse motivo, este modelo serve como padrão para o tratamento do tabagismo dos empregados fumantes da empresa.

“O fumo é um dos principais fatores de risco para as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) e abandonar o cigarro nunca é fácil. Muitos são incapazes de parar de fumar sem auxílio profissional e, por isso mesmo, vivem sob um risco maior de acometimento de doenças relacionadas ao tabaco”, diz a Cecília.

De acordo com a gestora, as pessoas fumam por razões diferentes, consomem quantidades diferentes de nicotina, experimentam sintomas de abstinência diferentes e são diferentes em outros aspectos como idade, educação, classe socioeconômica, entre outros. "Sendo assim, é importante que a pessoa tenha acesso a diferentes métodos de tratamento e que o fumante possa optar por aquele que melhor se adeque às suas características e expectativas”, ressalta.

Com a reformulação do programa, foi dada a opção da cessação de fumar por meio de outros métodos e profissionais, além do oferecido pelo SUS. A finalidade é estimular e aumentar o acesso dos empregados fumantes ao tratamento e, consequentemente, a mudança de comportamento em relação ao hábito de fumar.

“Apesar de reconhecer que o SUS tem um papel importante no tratamento e na redução do número de fumantes na população em geral, algumas características se mostraram restritivas para alguns, como dificuldades para conciliar trabalho e tratamento, devido a horários restritos, entre outros”, avalia Mônica Cristóvão, analista do Serviço de Qualidade de Vida que atua à frente do programa, tendo sido capacitada pelo curso “Abordagem Intensiva do Fumante para Cessação do Tabagismo”, realizado pelo Programa de Controle do Tabagismo da Secretaria Municipal de Saúde  do Rio.

Em sua versão atual, o empregado pode obter liberação das ausências parciais também para o acompanhamento médico, que pode ser realizado com médico particular ou do plano de saúde. Ou seja, o empregado faz o tratamento de sua escolha e conta com a liberação de horário.

“A relação médico-paciente oferece um contexto propício para o tratamento da dependência à nicotina e, uma vez assistido e amparado, o empregado fumante aumentará suas chances de sucesso, inclusive no que diz respeito a prevenção de recaídas”, diz Mônica.

O tratamento oferecido pelo SUS inclui avaliação clínica, abordagem intensiva na linha cognitivo-comportamental, com sessões em grupo, e terapia medicamentosa, quando indicada, e tem como premissa básica o entendimento de que o ato de fumar é um comportamento aprendido, desencadeado e mantido por determinadas situações e emoções, que leva à dependência devido às propriedades psicoativas da nicotina.


Empregados no Rio de Janeiro participam de roda de conversa sobre tabagismo e o programa de tratamento