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Com melhorias de governança e em sua estrutura, a DATAPREV intensifica a busca por novos negócios — dentro e fora do governo

Por Patrick Cruz

Em agosto do ano passado, pouco mais de quatro meses depois de assumir a presidência da Dataprev, o executivo André Magalhães sugeriu que fosse dada aos funcionários da estatal a chance de conhecer o troféu MELHORES E MAIORES, que a empresa havia acabado de conquistar. A ideia se transformou num tour do prêmio, levado não só aos funcionários de Brasília, sede da Dataprev, mas também a capitais como João Pessoa, Natal e Florianópolis. Nesses locais, em fotos bem-humoradas postadas nas redes sociais, os funcionários aparecem exibindo o prêmio como se tivessem acabado de recebê-lo ou mesmo encenando uma fuga com ele. Neste ano, vai ter turnê mais uma vez — e a celebração tem razão de ser.

Melhor empresa do setor indústria digital pela quarta vez nos últimos seis anos, a Dataprev consolida-se como uma estatal acima da média. Mesmo em tempos de economia fraca e aperto do orçamento público, a empresa teve um lucro de 38 milhões de dólares no ano passado, com uma rentabilidade de 11% do patrimônio líquido. Em média, cada empregado gerou 96 200 dólares de riqueza em 2017. No ano passado, a empresa — criada em 1974 para processar as informações da Previdência Social — reforçou a posição de referência no setor público com melhorias em sua estratégia de atuação. “O foco das mudanças concentrou-se em dois pilares: melhoria da governança e reforço à área comercial”, diz Magalhães. Esse movimento materializou-se com a criação de duas novas superintendências, a de governança corporativa e a de negócios e inovação.

Essas decisões não são mera formalidade burocrática. O primeiro pilar permitiu, entre outros avanços, organizar as entradas de caixa da empresa, que tem dois terços da receita dependentes de contratos com o poder público. Em média, os prazos de recebimento desses contratos chegavam a 210 dias, tempo que caiu para 95. “Não se tratava apenas de fazer a cobrança”, diz Magalhães, atestando as conhecidas dificuldades do governo de pagar as contas devido aos sucessivos cortes de orçamento. “Era preciso criar alternativas para os clientes.”

O segundo pilar de melhorias colocado em prática no ano passado fez surgir uma área comercial na Dataprev — algo que, surpreendentemente, ainda não existia na estatal. Até então, o fechamento de novos contratos ocorria muito mais com demandas trazidas por potenciais clientes do que tendo por base uma prospecção ativa no mercado. Foi assim, por exemplo, que apareceu a oportunidade de criar a Carteira de Trabalho Digital, um aplicativo lançado pelo Ministério do Trabalho em novembro. “Era como se tivéssemos uma Ferrari na garagem com tanque cheio. Tínhamos de colocar essa máquina na pista para correr”, afirma Magalhães.

A Dataprev já não é totalmente dependente de contratos com o poder público. Um terço de seu faturamento — que, no ano passado, atingiu 375 milhões de dólares — vem hoje da prestação de serviços à indústria financeira privada. Com as mudanças adotadas em 2017, a empresa vai intensificar neste ano a diversificação das fontes de receita. Na área pública, a busca será por clientes fora do Poder Executivo — há negociações em andamento com diversas instâncias do Judiciário — ou em outras esferas do Executivo, como prefeituras (a de São Paulo já é cliente). No setor privado, além de ganhar terreno na área financeira, a Dataprev no momento trabalha na criação de produtos que poderão servir à indústria farmacêutica. Definitivamente, a máquina foi para a pista para correr.

Disponível em: https://exame.abril.com.br/revista-exame/com-a-maquina-na-pista/